Furia Em Duas Rodas !full! Guide
Bruno nunca contou sobre a Marginal. Mas naquela noite, antes de dormir, ouviu o ronco distante de outra moto acelerando na avenida. E, pela primeira vez, não sentiu inveja. Sentiu alívio por não estar mais lá.
Quando chegou, Marina estava na varanda, o rosto iluminado pelo celular. Ele subiu, abraçou-a por trás e sussurrou: “Vou dar um jeito. No aluguel. No trabalho. Tudo.”
A chuva começou a engrossar. O asfalto escuro refletia os faróis como uma lâmina molhada. Bruno, porém, não reduziu. A traseira da moto dançou numa mancha de óleo; ele corrigiu no instinto, o coração nem acelerou. A fúria anestesiava o medo. furia em duas rodas
O dia fora um desastre. O chefe o humilhou na obra por um erro que não cometeu. Marina, sua mulher, enviou um áudio de dez minutos reclamando do dinheiro que faltava para o aluguel. E sua mãe ligou do interior: o coração dela estava fraco, e ele não tinha como visitá-la. A impotência corroía o peito como ácido.
A fúria evaporou num segundo, deixando apenas o vazio frio de quem quase transformou uma noite comum em estatística. Ele jogou o corpo para a direita com um reflexo que não era coragem, mas sobrevivência pura. A moto raspou o asfalto, o pedal de freio arrancou faíscas. O ônibus passou zunindo, o vento sacudindo o capacete. O Fiesta finalmente entrou à direita e sumiu na chuva. Bruno nunca contou sobre a Marginal
O asfalto da Marginal Tietê reluzia sob a garoa fina de maio. Para Bruno, não era apenas uma via expressa; era uma arena. E sua arma era uma moto – uma Titan 150 escura, com o escapamento roncando um aviso grave.
Ela estranhou o aperto do abraço, mas retribuiu. Sentiu alívio por não estar mais lá
Bruno perdeu a razão.
